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Ainda há peixes nobres no Rio Paraná

Espécies nobres como pacu, pintado e jaú podem ser fisgadas entre as barragens de Porto Primavera e Jupiá, no interior de SP


MEIO AMBIENTE - Paranazão em dia de torneio: rio está represado em trecho de 280 km

 

Arquivo NB / Antônio José do Carmo / Divulgação

O fechamento da barragem de Porto Primavera, que represou o Rio Paraná, o maior do Centro Oeste e do Sudeste do Brasil, ainda não acabou com os peixes de espécies consideradas nobres, como jaú, pacu e, principalmente, o pintado, também chamado de surubim em algumas regiões do País. Entre as barragens de Porto Primavera, no Pontal do Estado de São Paulo, e a hidrelétrica de Jupiá, na região Alta Noroeste, existem cerca de 280 km de rio represado.

No entanto, os técnicos ambientalistas garantem que, apesar de haver reduzido a correnteza que proporciona a movimentação dos peixes no período da desova, os afluentes do rio e os primeiros quilômetros do próprio Paranazão à jusante da barragem de Jupiá, ainda propiciam condições para que os peixes se reproduzam. Tanto é verdade essa teoria que, desde o ano passado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decidiu retomar a proibição da pesca nos meses de piracema em aproximadamente 100 km do Rio Paraná, abaixo da barragem de Jupiá.

Na Colônia de Pescadores de Jupiá, ainda existem 650 profissionais atuantes. Calcula-se que 10% sejam nikkeis. Antônio Akira Murai é um deles. Trabalha na pesca profissional há 16 anos. Acompanhando atentamente o comportamento do rio e dos peixes, ele afirma que de fato houve uma redução da população aquática, mas as espécies nobres ainda continuam resistindo.

Murai, que também é filiado à colônia de pescadores, diz que a primeira característica é que os peixes de piracema estão mais pesados e gordos que no passado. Para ele, isso deve ser atribuído ao menor esforço que eles fazem para subir o rio, agora com menor pressão contrária da correnteza.

Mas a principal prova de que os peixes nobres resistem às alterações ambientais vem dos processos que o Ministério Público Estadual do Mato Grosso do Sul move contra a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) pela morte de toneladas de peixes toda vez que se realiza trabalho de manutenção das turbinas geradoras de energia. A última ocorrência, segundo Murai, ocorreu em abril deste ano.

A Colônia de Pescadores tem até uma filmagem com a grande quantidade de pintados, jaús e pacus que morreram e foram lançados correnteza abaixo, depois do procedimento de rotina na limpeza de turbinas da hidrelétrica. “Foram vistos centenas de pintados, alguns pequenos, mas a maioria adulta pesando mais de 15 kg”, afirma o pescador.

Pintado, o mais cobiçado pelos pescadores

Fumio Kubo, 64 anos, que pesca há 32 anos no bairro Jupiá, diz que atualmente, com o fechamento do rio em Porto Primavera, aumentou a captura de espécies predadoras como tucunaré, corvina e piranhas. Estas últimas podem ser capturadas no barranco, com vara, anzol e isca com pedaços de carne ou peixes. O tucunaré e a corvina já dependem de embarcações. Segundo Kubo, é preciso ir para o meio do rio, em pontos mais prováveis de suas localizações.

Entre as espécies que Kubo diz ter reduzido a população no Rio Paraná estão a piracanjuba, o dourado e o corimba. Com algumas dicas de pontos propícios no meio do rio, ele afirma que é possível pegar piapara, pacu e pintado. Aliás, o pintado é o luxo de qualquer pescaria na região do Brasil Central, mas no Rio Paraná é onde eles alcançam os maiores tamanhos.

Akira Murai afirma que, ao invés de uma captura por dia, como ocorria há duas décadas, hoje o pescador precisa em média de uma semana para pescar um belo pintado, com mais de 5 kg. O maior dos últimos dois anos fisgado por Murai pesou 16 kg.

Para pescar pintado no Rio Paraná, os pescadores usam pequenas embarcações, a maioria botes sem conforto que transportam duas ou três pessoas. As tentativas são sempre noturnas, quando o grande rei das águas doces parte para sua caçada. Suas principais presas e que devem se usadas como isca são peixes de carne branca e de escamas, como piaparas e corimbas. O anzol também deve ser grande.

Os pintados preferem locais entre pedras, pois é ali que os pequenos peixes se escondem à noite, buscando exatamente proteção contra os predadores. Sorrateiros, os pintados ficam esperando um vacilo, uma falha nesse esquema de segurança. A pesca é proibida nos primeiros 500 metros abaixo da barragem de Jupiá, embora muitos pescadores se aventurem a isso enfrentando o risco de serem presos pela Polícia Ambiental.

Quem tem credenciamento como pescador profissional pode usar redes de até 100 metros de comprimento para capturar o pintado. Elas são armadas à tarde e no outro dia pela manhã são recolhidas pelos pescadores. Outra forma de pescaria é com o uso de tarrafas, uma rede circular com pesos nas extremidades e em formato de cone que detém o peixe quando é lançada, fazendo com que se enrosque nas malhas.

Nesse caso, a tarrafa deve ser jogada e retirada da água logo em seguida. Há ainda uma terceira opção que é deixar a isca presa a um galho de árvore às margens do rio. O pintado é o peixe mais caro na Colônia de Pescadores de Jupiá, sendo que nessa época do ano o quilo não sai dali por menos de R$ 20.


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